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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Computação nas nuvens



Google acredita que projeto vai transformar PCs atuais em máquinas obsoletas.Plano da gigante da rede é concentrar todas as informações do mundo na internet.

Na última década, Mountain View se tornou uma das principais cidades do famoso Vale do Silício, na Califórnia. Aqui fica o Googleplex: o conjunto de prédios foi montado pra reproduzir o ambiente de uma universidade. Mas é o quartel-general de uma empresa-símbolo do século 21.
Mais o que é Computação das nuvens?
Imagine você acessando seus dados de qualquer computador, em qualquer lugar. E mais do que isso: os programas também ficam nas nuvens. Você recebe em sua tela o processador de textos, o editor de fotografias, enfim, o software que bem entender.Tudo isso e muito mais nós aguardam em um futuro bem próximo, se tudo der certo.
Se tudo acontecer como imaginam os engenheiros do Google e de outras empresas que apostam na computação nas nuvens, num futuro próximo os computadores poderão ser muito mais baratos e usarão programas oferecidos quase sempre de graça, pela internet. Seria a definitiva inclusão das camadas mais pobres da população no mundo digital.

(Eruc Smitd, presidente do Google)

"Eu diria que o computador do futuro é a internet", afirma Eric Schmidt, atual presidente do Google. "Hoje, se você tem um problema no computador, está tudo perdido, é terrível. Mas, com a computação nas nuvens, não importa se você usa o celular, o computador ou qualquer outro aparelho, tudo estará guardado na internet."
Com a informação na internet, os computadores vão precisar de menos capacidade, pordem ser reduzidos a uma configuração mínima e tendem a ficar muito mais baratos. "A computação nas nuvens é a maneira mais simples e barata de se ter acesso à internet. Pessoas com pouco dinheiro hoje não têm acesso a computadores. E nós poderemos oferecer esse acesso", diz Schmidt. Quem ouve, até pensa que o executivo está fazendo filantropia. Mas, não se engane, ele está sempre falando de negócios. De olho em competidores gigantes, como a Microsoft. Se Schmidt e os engenheiros do Google estiverem certos sobre o futuro dos computadores, empresas mais tradicionais vão enfrentar dificuldades. Por isso a Microsoft tentou tanto comprar o portal Yahoo. Seria um jeito de trazer pro lado deles gente talentosa e produtos que já deram certo na internet, uma área em que a empresa de Bill Gates não teve o sucesso esperado.

Concorrência com Microsoft
A guerra pelo futuro da computação ainda vai ter muitos rounds e, certamente, poucos vencedores. Schmidt, no entanto, diz que não vê no fundador da Microsoft um rival. "Não, eu não tenho pesadelo com Bill Gates. Eles é que estão lutando contra nós", diz o presidente do Google. "Tentamos não brigar com a Microsoft porque, se você olhar pra história, as empresas que brigaram com eles acabam se dando mal justamente por terem gasto energia pra enfrentar a Microsoft." Segundo Schmidt, também não faz parte dos planos do Google abocanhar o Yahoo. "Preferimos comprar pequenas idéias e integrá-las ao Google." A última grande aquisição custou o equivalente a R$ 5 bilhões. Foi o site Doubleclick, pra ampliar as vendas de publicidade, o que, por enquanto, é a maior fonte de renda do Google. Mas o sonho de quem inventou a ferramenta de busca mais poderosa da internet é continuar sendo o berço das inovações. Por isso, os funcionários dedicam 20% do tempo de trabalho pra projetos pessoais. Isso mesmo: a empresa paga pra eles inventarem o que bem entenderem. Foi assim que nasceram, por exemplo o Gmail e o Orkut.

O padeiro do Google

(Craig Silvertein)
Mas a pergunta agora é por quanto tempo as coisas vão continuar desse jeito. Será que o passado ajuda a responder? Conheça Craig Silverstein: quando a empresa era pequena, ele era conhecido como Craig, o padeiro. Duas vezes ao dia, na cozinha do escritório, trocava o computador pela farinha. "Eu preparo o pão e saio oferecendo aos colegas", dizia Craig. Em outubro de 2000, Craig Silverstein era o diretor de tecnologia de uma empresa com apenas duzentos funcionários. Um jovem sonhador, de classe média, em seu primeiro emprego. Oito anos depois, Craig, de barba e com muito menos cabelo, é um discreto milionário no bandejão da empresa. Ele conheceu o sabor da fortuna quando o Google fez sua primeira oferta de ações, em 2004. O diretor deixou de ser o padeiro das horas vagas, mas não mudou o jeito de engenheiro sonhador. "O que é importante para mim é a tecnologia, as idéias. Encorajamos as pessoas a continuar fazendo coisas novas aqui dentro", afirma. Assim os engenheiros que vivem ao pé das montanhas do Vale do Silício, com as mãos no teclado e a cabeça nas nuvens, se mantêm no limite da inovação tecnológica. E, mesmo quando trocam os computadores pela bicicleta ou pela a descontraída sinuca, jamais esquecem que a missão de todos aqui é inventar o futuro.

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